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Putin concede cidadania russa a Edward Snowden

26 de setembro de 2022

Ex-analista da inteligência americana vive no país desde 2013, quando recebeu asilo político. EUA exigem sua extradição e o acusam de infringir a lei de espionagem.

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Pessoas assistem Snowden em um telão
Desde que vive na Rússia, Snowden tem trabalhado como consultor, dando videoconferências sobre tecnologia da informação e seus riscos e ameaçasFoto: Artyom Geodakyan/TASS/picture alliance

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, concedeu nesta segunda-feira (26/09) cidadania russa ao ex-analista da Agência de Segurança Nacional americana (NSA)Edward Snowden, em uma aparente afronta aos Estados Unidos, que há anos pedem sua extradição.

Um decreto assinado por Putin listou os nomes de 75 estrangeiros que agora são cidadãos russos, incluindo o do ex-funcionário do serviço de inteligência dos EUA. Putin tomou a decisão com base no ponto A do Artigo 89 da Constituição russa, que estipula que o chefe de Estado pode conceder cidadania e asilo político. 

Snowden tem 39 anos e recebeu asilo político na Rússia em 2013. Acusado pelo governo americano de infringir a lei de espionagem, ele havia solicitado a cidadania russa em 2 de novembro de 2020 e, até agora, não emitiu nenhum comentário sobre a invasão da Ucrânia pela Rússia

O advogado de Snowden, Anatoli Kucherena, negou que seu cliente possa ser convocado para as fileiras do Exército no âmbito da mobilização parcial decretada por Putin poucos dias atrás, a qual provocou a fuga do país de vários cidadãos russos. 

"Pelo fato de Edward não ter servido o Exército russo, não tem prática e experiência militar, e não pode ser mobilizado", declarou o advogado à agência de notícias russa Interfax.

O novo cidadão russo, que em outubro de 2020 obteve a autorização de residência permanente no país, teve seu primeiro filho com a mulher, Lindsay Mills, em dezembro daquele ano. Como o país adota o jus soli, o bebê tem nacionalidade russa. 

Acusado de práticas ilegais de espionagem

Snowden fugiu dos EUA em 2013, após divulgar para a imprensa práticas ilegais de espionagem da NSA em redes de internet e telefonia, incluindo de líderes internacionais. Desde então, o especialista, que antes também trabalhara para a CIA, é perseguido pela Justiça americana, que o acusa de ter violado a lei de espionagem.

Em 2013, Snowden chegou a ficar mais de um mês na área de trânsito do Aeroporto de Sheremetyevo, em Moscou, antes de receber asilo temporário. Procurado pelos Estados Unidos, ele chegou à capital russa vindo de Hong Kong, com a intenção de seguir viagem.

No entanto, com o passaporte anulado pelas autoridades americanas, foi forçado a ficar. Durante as semanas que passou no aeroporto, Snowden chegou a pedir asilo político a mais de 20 países.

Desde que vive na Rússia, Snowden tem trabalhado como consultor, dando videoconferências sobre tecnologia da informação e seus riscos e ameaças.

le/av (Lusa, ots)