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EsporteBrasil

O Brasil na imprensa alemã (01/12)

1 de dezembro de 2021

Jornais da Alemanha repercutem despedida de Formiga da seleção brasileira e sua carreira cheia de recordes. Condenação do ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro e sucesso da vacinação no país também são destaques.

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Formiga em disputa contra a jamaicana Chantelle Swaby durante Mundial de 2019
Formiga durante o Mundial feminino de 2019Foto: Getty Images/Elsa

TAZ – A incansável (25/11)

É inquestionável que Miraildes Maciel Mota, ou Formiga, possa olhar para trás e enxergar uma carreira fora do comum. Ela conquistou vários recordes mundiais e finaliza seu percurso profissional com a 234ª partida pela seleção nacional.

Após 26 anos no futebol internacional, concretiza-se o fim da carreira de Formiga. No final de 2016, ela chegou a declarar sua saída da seleção. Em março de 2018, porém, convenceu o já falecido técnico nacional Vadão a voltar para atuar na Copa América Feminina, que ao mesmo tempo valia como eliminatória para a Copa do Mundo de 2019.

Nas oitavas de final da Copa do Mundo contra a França, Formiga estabeleceu um novo recorde ao participar da fase final de sete Mundiais. À época da partida, ela tinha 41 anos e 112 dias de idade. Aqui, a soteropolitana de apenas 1,62 metro de altura bateu outro recorde [o de ser a jogadora mais velha a entrar em campo numa Copa do Mundo Feminina].

A meio-campista não conseguiu realizar o sonho de uma medalha de ouro na Copa do Mundo. Ficou apenas como vice-campeã em 2007, na China, atrás da seleção alemã.

Sete Copas do Mundo também significam um recorde jamais igualado pelos homens. Até Lothar Matthäus, um de quatro detentores de recordes, participou somente de cinco torneios.

A carreira olímpica de Formiga é igualmente única. Participou de todas as competições desde Atlanta, em 1996, quando o futebol feminino passou a fazer parte dos Jogos Olímpicos. Com a seleção, ganhou duas medalhas de prata, em Atenas em 2004 e em Pequim em 2008, e nas duas ocasiões faltou muito pouco para o ouro.

Süddeutsche Zeitung – Quase 31 anos de prisão (27/11)

Trinta anos e onze meses. Quase 31 anos atrás das grades – esse será o futuro do homem que abriu os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro e que, como dignitário longevo no Comitê Olímpico Internacional (COI), era especialmente próximo do presidente do órgão, Thomas Bach, a quem ele apoiava. Agora, Carlos Nuzman, de 79 anos, deverá passar seus dias numa casa de detenção na cidade que ele ajudou a eleger como sede dos Jogos em 2009, por meios corruptos.

Mas também: pelo caminho usual. É que o sistema de propinas descoberto pela Justiça brasileira em torno da concessão das Olimpíadas ao Rio revela o padrão de um nepotismo olímpico que concentra sempre os mesmos atores.

Por isso, o duro veredito agora coloca sob pressão a Justiça e a política no Japão: as mesmas forças obscuras que ajudaram a candidatura corrupta de Nuzman a vencer também aparecem em questionáveis fluxos de dinheiro canalizado de forma similar em torno da concessão das Olimpíadas de Tóquio em 2020.

No processo de corrupção do Rio, além de Nuzman, que chefiava o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), foi condenado também o ex-diretor do Comitê Rio-2016 Leonardo Gryner (13 anos e 10 meses). Já o ex-governador do estado Sérgio Cabral, já condenado em outros processos, escapou com dez anos e oito meses de prisão.

Em 2019, Cabral foi o primeiro a admitir o pagamento de propinas durante a candidatura: por 2 milhões de dólares, ele teria comprado votos em conjunto com Nuzman. O dinheiro teria sido disponibilizado pelo empresário brasileiro Arthur Soares antes da votação do COI, no final de 2009. Na época, o Rio venceu Madri, Tóquio e Chicago.

Frankfurter Allgemeine Zeitung – Eles querem viver (25/11)

Por que os brasileiros têm tanta disposição para se vacinar? Especialistas apontam que a prontidão tem origem nas experiências do passado. A lembrança de epidemias graves e doenças como febre amarela, paralisia infantil ou mesmo varíola ainda é muito recente.

Muitos brasileiros – especialmente de origem mais humilde – sabem o que quer dizer não ter vacinas à disposição. E eles também sabem que ajuda ter uma vacina. Como recém-nascidos, todos recebem as primeiras vacinas, são nove previstas no primeiro ano de vida da criança.

Além disso, o Brasil possui um programa nacional de imunização desenvolvido ao longo de décadas, com uma rede de 40 mil postos públicos de saúde, o que permite uma imunização eficiente. Mesmo nos locais mais afastados do país, é possível achar calendários de vacinação cheios.

Assim, o Brasil combateu várias epidemias com sucesso e conteve doenças no país. O coronavírus também deverá ter cada vez mais dificuldades no Brasil. O número de casos caiu para o nível das primeiras semanas da pandemia, assim como o número diário de vítimas. Os brasileiros respiram aliviados e ousam sonhar novamente – com o Carnaval, por exemplo, que se aproxima cada vez mais e que deverá ser o maior de todos os tempos.

rk/ek (OTS)