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Mourão faz último pronunciamento do governo Bolsonaro

1 de janeiro de 2023

Após presidente viajar para os EUA, vice envia mensagem de final de ano na qual não cita Bolsonaro e crítica silêncio de autoridades que, segundo ele, criou caos social.

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Vice-presidente Hamilton Mourão
Mourão faz pronunciamento carregado de críticas veladasFoto: Eraldo Peres/AP Photo/picture alliance

Após Jair Bolsonaro deixar o país, o presidente em exercício, Hamilton Mourão, fez neste sábado (31/12) o último pronunciamento do governo. Na mensagem de fim de ano transmitida em cadeia nacional, ele não cita diretamente Bolsonaro, porém, critica o silêncio de autoridades que, segundo ele, criou caos social e faz um balanço da administração federal dos últimos quatro anos.

Mourão começou o pronunciamento, que durou pouco mais de oito minutos, fazendo um balanço do governo, destacando mudanças na economia, privatização de estatais, reforma da previdência e avanço na digitalização do setor público.

Ignorando os escândalos de corrupção do governo Bolsonaro, como na compra de vacinas e na farra dos pastores no MEC, Mourão disse que estava entregando "um país equilibrado, livre de práticas sistemáticas de corrupção, em ascensão econômica e com as contas públicas equilibradas".

O presidente em exercício reconheceu também o retrocesso na política ambiental e alegou que houve "reduções importantes" no desmatamento da Amazônia, apesar dos números indicarem recordes de devastação no bioma desde que Bolsonaro assumiu o poder em 2019.

Críticas veladas

Após o balanço, Mourão agradeceu os votos que o governo recebeu na eleição e fez uma série de críticas veladas. Dirigiu-se inicialmente ao Supremo Tribunal Federal (STF), que travou várias batalhas com o Executivo durante o governo Bolsonaro.

"A falta de confiança de parcela significativa da sociedade nas principais instituições públicas decorre da abstenção intencional desses entes do fiel cumprimento dos imperativos constitucionais, gerando a equivocada canalização de aspirações e expectativas para outros atores públicos que, no regime vigente, carecem de lastro legal para o saneamento do desequilíbrio institucional em curso", disse.

Sem mencionar diretamente os acampamentos bolsonaristas, ele fez ainda referências aos atos antidemocráticos que pedem para as Forças Armadas promoverem um golpe no país e, aparentemente, ao silêncio de Bolsonaro que sucedeu sua derrota nas eleições. O presidente deixou de participar de atos públicos e acabou deixando o país para não passar a faixa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva.

"Lideranças que deveriam tranquilizar e unir a nação em torno de um projeto de país deixaram que o silêncio ou o protagonismo inoportuno e deletério criasse um clima de caos e de desagregação social. E de forma irresponsável deixasse que as Forças Armadas de todos os brasileiros pagassem a conta. Para alguns, por inação, e para outros por fomentar um pretenso golpe ", destacou Mourão.

Ele finalizou o pronunciamento falando dos benefícios da alternância de poder e destacou que o Brasil segue sendo uma democracia. "Retornemos à normalidade da vida, aos nossos afazeres e ao concerto de nossos lares, com fé e com a certeza de que nossos representantes eleitos farão dura oposição ao projeto progressista do governo de turno, sem, contudo, promover oposição ao Brasil", concluiu.

cn (ots)