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Eleição de prefeito neonazista choca a Alemanha

9 de setembro de 2019

Vereadores de siglas tradicionais, como a CDU de Merkel e o social-democrata SPD, elegeram membro do ultranacionalista NPD para comandar vilarejo perto de Frankfurt. Lideranças partidárias pedem anulação da votação.

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Stefan Jagsch
Stefan Jagsch aparentemente era o único interessado na prefeitura de WaldsiedlungFoto: Imago/P. Hartenfelser

A eleição unânime do membro de um partido neonazista para prefeito de um vilarejo no estado de Hessen provocou protestos na Alemanha. Stefan Jagsch, do Partido Nacional-Democrático (NPD), recebeu o voto de todos os vereadores por ser aparentemente o único interessado no cargo.

A escolha do novo prefeito de Waldsiedlung, uma pequena comunidade perto de Frankfurt e que pertence ao distrito de Altenstadt, ocorreu após o então líder, membro do Partido Liberal Democrático (FDP), anunciar sua renúncia em junho. O cargo estava vago há semanas.

Na sessão da última quinta-feira (05/09), todos os sete vereadores presentes votaram em Jagsch para comandar o vilarejo. Entre os que deram aval ao extremista de direita estão membros da União Democrata Cristã (CDU) – legenda da chanceler federal, Angela Merkel –, do FDP e um turco-alemão do Partido Social-Democrata (SPD).

A eleição de Jagsch foi condenada por lideranças desses três partidos, que se recusam a trabalhar com o NPD, um partido de extrema direita que se assemelha ao comandado por Adolf Hitler na década de 1930. Os políticos pedem a anulação da votação.

"O SPD tem uma clara posição: não cooperamos com nazistas. Nunca! Isso se aplica no nível federal, estadual e municipal", afirmou o secretário-geral do SPD, Lars Klingbeil, afirmando que a escolha não é justificável e precisa ser anulada.

O secretário-geral da CDU, Paul Ziemiak, também defendeu que a eleição seja anulada. "Estou chocado. A eleição de um membro de um partido que tem objetivos anticonstitucionais é uma vergonha", ressaltou ele ao jornal Bild.

O líder da bancada do FDP no Parlamento alemão, Marco Buschmann, descreveu o caso como duplamente ruim: "Primeiro porque democratas votaram em alguém como ele [Jagsch], segundo porque não havia candidatos democratas para assumir essa tarefa".

Lideranças regionais das legendas também se posicionaram contra a eleição do extremista de direita. "A eleição de um membro do NPD para prefeito com a participação de titulares da CDU me horroriza muito. Qualquer democrata que abre caminho para radicais num gabinete de Estado lida com seu mandato de forma irresponsável e alheia ao dever e à história", afirmou Peter Tauber, deputado estadual pela CDU em Hessen.

Nas ruas de Waldsiedlung, que possui cerca de 2,5 mil habitantes, os moradores parecem divididos sobre o novo prefeito. "Jagsch é muito legal. O problema é que ele pertence ao partido errado e sou contra a promoção de membros do NPD", disse Ingo Waldschmidt. Para Karl-Heinz Boller, a votação foi um erro. "Estou indignado. Isso precisa ser corrigido", afirmou.

O representante do SPD na câmara municipal, Ali Riza Adgas, aparentemente não viu problema em eleger um neonazista. "Eu o conheço há anos e nunca tive problema com ele", afirmou ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung.

Já o vereador Nobert Szielasko, da CDU, disse que Jagsch foi eleito porque não havia nenhum outro candidato mais jovem que soubesse "usar computadores e mandar e-mails".

CN/afp/rtr/ap

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