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União Africana aceita o Mali de volta

Silva-Rocha, Antonio25 de outubro de 2012

Porém, tensões persistem no país africano, cujo governo tenta reconquistar o norte dominado por grupos radicais islâmicos. Mali foi palco de golpe de Estado militar em março. Eleições previstas até abril de 2013.

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A União Africana (UA) aprovou na quarta-feira (24.10) na sua sede em Adis Abeba um plano que prevê a realização de eleições no Mali nos primeiros quatro meses do próximo ano, para além de o país ter sido readmitido como membro de pleno direito na organização continental.

No que se refere a uma intervenção militar internacional contra os grupos radicais islâmicos que controlam, há mais de seis meses, o norte do Mali, foi anunciado que os planos estarão prontos dentro de algumas semanas, no prazo de 45 dias fixado a 12.10 pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU).

Por outro lado, a reunião de Adis Abeba também permitiu definir o que se convencionou chamar de "conceito estratégico" sobre as medidas a serem tomadas para restabelecer a lei e a ordem em todo o território maliano. E, finalmente, o Conselho de paz e segurança da UA decidiu interromper a suspensão do Mali das atividades da organização, que estavam em vigor desde o golpe de Estado militar de 22.03 deste ano contra o presidente Amadou Toumani Touré - acusado, na altura, de não gerir bem a crise que opunha os militares aos rebeldes - considerados melhor armados e treinados - no norte do país.

"Tenho todos os motivos para acreditar que as conclusões a que chegamos juntamente com o grupo de acompanhamento da situação no Mali e [na região do] Sahel irão ajudar a acelerar uma solução para a crise que o Mali enfrenta", afirmou a sul-africana Nkosazana Dlamini-Zuma, a nova presidente da Comissão da União Africana.

Na semana passada, durante a reunião, na capital maliana Bamako, do grupo de contacto e acompanhamento sobre a situação no Mali, Dlamini-Zuma aproveitou a ocasião para demonstrar a grande vontade da UA em apoiar os esforços das autoridades do Mali. "Queremos acompanhar o Mali numa altura em que procura reconquistar a integridade do seu território", afirmou presidente da Comissão da UA.

Para Dlamini-Zuma, é importante acompanhar o Mali "quando forem realizadas as eleições para termos a certeza de que após o conflito os esforços sejam concentrados no desenvolvimento do país. Na verdade, queremos que o Mali reencontre a sua democracia e o seu lugar entre os países em desenvolvimento", projetou.

Proteção contra o terrorismo na África ocidental

Entretanto, vários observadores acreditam que talvez sejam ainda necessários alguns meses para que um eventual plano de intervenção possa ser concretizado no norte do Mali, onde grupos radicais islâmicos armados, depois de terem realizado, numa primeira fase, alianças com os rebeldes tuaregues, implantaram um poder baseado na Sharia, a lei islâmica.

Na terça-feira (23.10), ao afirmar que a Alemanha está disposta a participar na libertação do norte maliano, o ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Guido Westerwelle, disse temer o aumento do terrorismo na região com a desestabilização do país. "Será um oásis de tranquilidade para os terroristas do mundo inteiro e coloca em perigo não só o Mali e os países da África do norte, mas também os nossos países europeus. Com o nosso engajamento para a estabilidade do Mali, protegemo-nos igualmente contra o terrorismo e os ataques", alertou Westerwelle.

Na ocasião, o ministro das Relações Exteriores alemão recebia em Berlim o emissário da ONU para o Sahel, Romano Prodi, nomeado este mês. "Devemos concentrar os nossos esforços no próprio país [Mali], pois é ali onde estão os problemas mais graves", disse Prodi, por sua vez. "O Mali está dividido e quer e deve ser unido. Estou completamente de acordo com o ministro Westerwelle que não pode haver uma intervenção direta da Europa. É um problema que antes de tudo compete aos africanos solucionar", opinou o antigo presidente da Comissão Europeia (1999 - 2004) e ex-primeiro-ministro italiano (1996 - 1998 e 2006 - 2008).

Missão internacional de formação no Mali

Também na segunda-feira (22.10), a chanceler alemã Angela Merkel afirmou que o seu país vai enviar militares no quadro de uma missão europeia de formação de uma força africana encarregue de desalojar os combatentes islâmicos do norte do Mali.

Esta posição da chanceler  Merkel foi confirmada na televisão pelo seu ministro da Cooperação e do Desenvolvimento, Dirk Niebel, que quer evitar que o Mali mergulhe no caos e provoque mais problemas no continente africano.

"Se perdermos o Mali, corremos o risco de criar uma situação à imagem do Afeganistão há alguns anos atrás", advertiu Niebel, dizendo que é preciso impedir que a fragilidade da região do Mali se espalhe no continente africano. "Da Guiné Bissau à Somália, constata-se uma progressão de terroristas em África.Por enquanto, eles dirigem-se para o sul, mas visam também o norte, a América do Norte e a Europa. Portanto, é fundamental, no nosso interesse, lutarmos contra a instabilidade, propondo novas perspectivas", acrescentou.

Para Niebel, em primeiro lugar trata-se de formar os soldados malianos na manutenção do material sofisticado que lhes serão fornecidos e acompanhar os africanos na solução dos seus próprios problemas. Os ministros europeus dos Negócios Estrangeiros apresentarão a sua concepção numa reunião marcada para 19.11.

Autor: António Rocha
Edição: Renate Krieger