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Putin espera "maior coordenação" com Moçambique na ONU

Lusa
28 de julho de 2023

Presidente da Rússia disse esperar "maior coordenação" com Moçambique das ações russas no Conselho de Segurança, numa altura em que o país africano cumpre mandato de membro não permanente no órgão da ONU.

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Nyusi e Putin na Cimeira Rússia-África
Foto: Alexei Danichev/REUTERS

"Esperamos maior coordenação das nossas ações no Conselho de Segurança, cooperação eficiente na solução de importantes problemas globais e regionais", afirmou Vladimir Putin, em São Petersburgo, na quinta-feira (27.07), dirigindo-se ao homólogo moçambicano, Filipe Nyusi, à margem da Cimeira Rússia-África.

Putin acrescentou que para essa concertação, os Ministérios dos Negócios Estrangeiros dos dois países já realizam consultas sobre o assunto.

Encontro bilateral

O Presidente de Moçambique está em visita de trabalho à Rússia, até sábado (29.07). Além da uma reunião com o homólogo russo, Nyusi participa na cimeira de São Petersburgo.

No encontro com Nyusi, Putin destacou que a Rússia valoriza a cooperação construtiva com Moçambique no cenário internacional, incluindo o apoio do país africano às iniciativas da Rússia na ONU.

O líder russo apontou ainda que há "boas perspetivas" na cooperação económica entre os dois países, lembrando que em 2022 o volume de negócios realizados entre a Rússia e Moçambique "cresceu 14,5%".

"A dinâmica positiva continuou entre janeiro e abril deste ano, com crescimento de 35%", afirmou.

Vladimir Putin, Presidente da Rússia
Com realização de cimeira, Putin busca mostrar ao mundo que não está isoladoFoto: Pavel Bednyakov/POOL/AFP/Getty Images

Putin acrescentou existirem também boas perspetivas de cooperação na extração de gás, no levantamento geológico, na energia elétrica, na agricultura e na pesca.

O Presidente russo indicou que a comissão intergovernamental para a cooperação económica, científica e tecnológica trabalha no reforço dos laços económicos entre a Rússia e Moçambique e os dois países querem alargar a base jurídica para a cooperação bilateral.

"Documentos sobre propriedade intelectual, geologia, pesca e inovações estão programados para serem assinados à margem desta cimeira", avançou Putin.

O reforço do apoio da Rússia a Moçambique na área da Educação foi também sublinhado pelo chefe de Estado russo, que destacou que Moscovo continua a ajudar na formação de quadros moçambicanos nas universidades russas.

"No total, cerca de 3.000 moçambicanos receberam educação superior na [antiga] União Soviética e na Rússia", disse, citando estatísticas e assumindo que a partir de 2020, a quota de educação para os estudantes de Moçambique mais do que duplicou.

"No ano educacional 2023-2024, serão 75 bolsas", apontou.

"A Rússia e Moçambique estão ligados por fortes laços de amizade e cooperação que foram estabelecidos ainda durante a luta do povo moçambicano pela independência", sublinhou Putin, destacando "o espírito" de Nyusi de "fortalecer ainda mais" os "laços multifacetados" entre os dois povos.

Cimeira Rússia-África decorre em São Petersburgo
Cimeira Rússia-África decorre em São PetersburgoFoto: Maksim Konstantinov/Russian Look/picture alliance

Investimento empresarial

O Presidente de Moçambique pediu "maior investimento empresarial" da uma reunião com Vladimir Putin.

"Reuni-me esta tarde em São Petersburgo com o Presidente Putin, onde trocamos informações sobre a situação nos nossos dois países e o estágio da nossa cooperação bilateral. Incentivamos maior investimento empresarial para impulsionar a cooperação económica de modo a sustentar com ações concretas as relações de amizade, num ambiente de respeito mútuo", escreveu Filipe Nyusi, numa mensagem na sua conta oficial na rede social Facebook.

"Para este fim, apoiamos o incremento das trocas comercias e intercâmbios empresariais bem como a necessidade de concretizar os instrumentos de cooperação existentes", acrescentou.

A Frente de Libertação de Moçambique [FRELIMO, partido no poder desde a independência do país] foi um aliado de Moscovo durante o tempo da antiga União Soviética, tendo recebido apoio militar durante a luta contra o colonialismo português e ajuda económica depois da independência, em 1975.

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