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Prevenção a catástrofes ganha reforço em Moçambique

da Silva, Romeu12 de fevereiro de 2013

A Cooperação Técnica Alemã (GIZ) activou 200 comités de gestão de riscos de calamidades para tentar evitar novas mortes em Moçambique. Trabalho, em parceria com o INGC, reforça sistema de aviso prévio às comunidades.

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A Cooperação Técnica Alemã (GIZ) apoia as comunidades moçambicanas para evitar a ocorrência de novas mortes devido a calamidades, em regiões propensas a catástrofes no país.

Para o efeito, a GIZ criou 200 comités de gestão de risco de calamidades. Os membros dos comités participaram em formações nas áreas de informação, procura de abrigos e primeiros socorros.

A ideia é que as próprias comunidades disseminem a informação, depois de aviso prévio lançado pelas autoridades moçambicanas, em caso de ameaça de uma vaga de cheias ou de ciclones.

Segundo Erik Salas, do GIZ, nesses casos são disponibilizados materiais para os responsáveis das comunidades a fim de facilitar a disseminação das informações.

"Quando está a vir um ciclone, temos chuvas muito intensas", explica Salas. Diante dessa situação, o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) mobiliza os comités locais de gestão de risco de calamidades "para que eles, antes de chegar o ciclone ou de ter uma inundação, trabalhem com a comunidade, identificando os sítios de abrigo e os meios de transporte", revela o responsável da GIZ.

Trabalho conjunto quer reduzir a vulnerabilidade

Depois das cheias teme-se agora a ocorrência de ciclones. Os meses de fevereiro e março são propensos a este fenómeno.

Assim, a GIZ assegura que, por meio do sistema de aviso prévio, existem condições para evitar perdas humanas.

Erik Salas diz que as comunidades que frequentemente sofrem com as catástrofes sabem o que fazer nestas situações. Moçambique é vulnerável às calamidades daí a necessidade de estar preparado.

Segundo o representante da GIZ, é feito um trabalho conjunto. "O INGC, com o nosso apoio e de outros parceiros, ativa os comités locais e assegura de que existem condições para receber as comunidades em centros de abrigo resistentes a ciclones. Assegura os alimentos, a água necessária e os serviços básicos para o funcionamento daqueles centros de abrigo" revela.

Salas destaca que o envolvimento das comunidades é fundamental para o sucesso do trabalho. "Estar todo o tempo em contato com os comités locais de gestão de risco de calamidades demonstrou-se como fator mais importante para reduzir os danos e perdas de vidas humanas", garante.

Pobreza impõe limites aos avanços

A Cooperação Técnica Alemã (GIZ) trabalha na prevenção das catástrofes naturais com as autoridades moçambicanas há mais de dez anos. As populações de algumas regiões já estão organizadas para o efeito.

"Quando as populações têm informação, quando compreendem que elas mesmas podem mudar suas vida, (então) podem reduzir seus riscos", afirma o representante da GIZ, Erik Salas.

O INGC, em parceria com a GIZ, disponibilizou meios para facilitar a comunicação, no vale do Zambeze. Mas, Erik Salas lamenta as limitações que ainda existem.

Para ele, a pobreza é o maior desastre que existe nas comunidades rurais e urbanas de Moçambique, porque impõe limites ao trabalho.

"Se estamos preparados, não teremos calamidades. Se não estamos preparados, teremos calamidades. Acho que esta é a mensagem central do nosso trabalho", revela.

Apesar dos desafios, Erik Salas permanece otimista. "Acho que sim, existem possibilidades de enfrentar de maneira construtiva aquelas calamidades", conclui.

Muito recentemente o governo aprovou um projeto de lei, a ser submetido ao Parlamento, que visa proteger e evitar as mortes dos afectados, nos centros de acomodação.

As chuvas em Moçambique, segundo os últimos dados, provocaram a morte de mais de cem pessoas e mais de 250 mil estão afectadas.

Autor: Romeu da Silva (Maputo)
Edição: Cristiane Vieira Teixeira/António Rocha