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PolíticaTanzânia

Morreu ex-Presidente da Tanzânia Ali Hassan Mwinyi

Lusa
1 de março de 2024

O antigo Presidente da Tanzânia Ali Hassan Mwinyi morreu vítima de cancro aos 98 anos, informou a Presidência tanzaniana. O país vai observar sete dias de luto.

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Foto: AFP/Getty Images

O ex-Presidente da Tanzânia, Ali Hassan Mwinyi, que reformou e introduziu a democracia multipartidária no país, morreu ontem aos 98 anos, anunciou a Presidência. 

"É com tristeza que anuncio a sua morte", declarou a Presidente Samia Suluhu Hassan, acrescentando que o antigo chefe de Estado estava a ser tratado de um cancro do pulmão.

Mwinyi tinha sido hospitalizado em Londres em novembro de 2023, antes de regressar a Dar es Salaam para prosseguir o seu tratamento, acrescentou a Presidente tanzaniana. 

O país vai observar sete dias de luto, com as bandeiras nacionais hasteadas a meia haste.

Liderança de Mwinyi

Escolhido pelo herói da independência, Julius Nyerere, para lhe suceder em 1985, Mwinyi, considerado um líder tímido quando chegou ao poder, herdou um país a braços com uma crise económica, após anos de experiências socialistas fracassadas.

Durante 24 anos, Nyerere lançou o país num projeto socialista chamado "Ujamaa" ("irmandade" em suaíli). À medida que os tanzanianos lutavam para ganhar a vida e as exigências de reforma se tornavam mais prementes, Mwinyi decidiu romper com esta política e liberalizar a economia.

 Ali Hassan Mwinyi fazia tratamento contra um cancro no pulmão
Ali Hassan Mwinyi fazia tratamento contra um cancro no pulmãoFoto: AFP

 Em particular, abriu o país às importações e levantou as restrições à criação de empresas privadas, o que lhe valeu a alcunha de "Mzee Rukhsa" ("Senhor Permissão" em suaíli).

Nas suas memórias, publicadas em 2020, explicou que a política de "Ujamaa" tinha privado os pequenos comerciantes de rendimentos.

Nascido em 08 de maio de 1925 na antiga colónia britânica conhecida como Tanganica, Mwinyi mudou-se para Zanzibar para estudar o Islão.

O seu pai esperava que ele se tornasse um líder espiritual, mas o jovem Mwinyi dedicou-se ao ensino, antes de entrar na política na década de 1960, após a libertação do Tanganica. 

Após a fusão, em 1964, do Tanganica independente com Zanzibar para formar a Tanzânia, subiu na hierarquia até se tornar embaixador no Egito e ministro da Saúde, dos Assuntos Internos e dos Recursos Naturais durante a década de 1970 e o início da década de 1980.