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Educação

Guiné-Bissau: Pequenas ações para criar os líderes do futuro

Marina Oliveto
3 de julho de 2020

A ABEMA, uma associação sem fins lucrativos, criou uma escola nos arredores de Bissau. Mesmo com poucas condições financeiras, ajuda a esculpir os "homens e mulheres do futuro".

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Guinea-Bissau | Schule "Nova Geração" in Ponta Gardete
Foto: ABEMA

O futuro incerto das crianças na Guiné-Bissau é uma das grandes preocupações de Jonatas José de Pina, sobretudo por causa das altas taxas de abandono escolar e de trabalho infantil no país. O presidente e fundador da Associação do Bem-Estar de Menores Africanos (ABEMA) lembra que as crianças são "futuros líderes" e investir nelas é investir num amanhã melhor.

"As crianças são futuros homens e mulheres que estarão tomando as decisões nos países africanos", afirma José de Pina em entrevista à DW.

Escolas na Guiné-Bissau continuam sem aulas

Mas as dificuldades são muitas. A Guiné-Bissau é um dos países mais pobres do mundo. Com uma população de 1,8 milhões de pessoas, metade da população é analfabeta. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), só 60% das crianças completam a 6.ª classe. A instabilidade política crónica, a falta de escolas, as constantes greves de professores e agora a pandemia, que levou à suspensão das aulas para travar a propagação do novo coronavírus, prejudicam bastante a qualidade do ensino.

Jonatas José de Pina refere que a sua associação faz o que pode, com pequenas ações, para tentar alterar este cenário. A ABEMA ajuda centenas de crianças na região guineense de Biombo. Uma das ações da organização é a "Escola Nova Geração", fundada no setor de Prabis, na comunidade de Ponta Gardete, que tem como objetivo preparar, desde cedo, futuros líderes e empreendedores.

Será certamente um objetivo ambicioso, mas a ABEMA está convicta das potencialidades destas crianças e jovens: "Nós queremos trabalhá-los para ter uma visão totalmente diferente de África, não uma visão neutra do processo de desenvolvimento do continente, mas uma visão participativa", afirma José de Pina.

De portas fechadas por causa da Covid-19

A escola comunitária "Nova Geração" é uma instituição particular, tem um sistema administrativo totalmente autónomo e não sofre com as constantes greves nas instituições de ensino públicas, acrescenta o responsável. Os professores são voluntários, mas recebem um subsídio mensal.

Contudo, a escola não está regularizada. Segundo Jonatas José de Pina, isso deve-se à muita burocracia exigida por Bissau.

"Nós já tínhamos começado o processo de registo da escola, mas infelizmente não foi concluído", diz.

Guinea-Bissau | Schule "Nova Geração" in Ponta Gardete
Alunos estão sem aulas por causa da pandemia da Covid-19Foto: ABEMA

Entretanto, a escola teve de fechar por causa da pandemia do novo coronavírus. As aulas foram suspensas em todo o país; as escolas só deverão reabrir a partir de meados de julho, segundo o Executivo.

Jonatas José de Pina diz que, "para o retorno das aulas, serão tomadas as medidas adequadas orientadas pela Organização Mundial de Saúde. Isso é algo que nos deixa muito preocupados, porque será um enorme desafio devido à nossa capacidade financeira".

Dificuldades estruturais

A ABEMA é uma organização sem fins lucrativos e recebe apoios dos encarregados de educação para conseguir manter as suas atividades.

"Os pais ajudam a escola com um valor simbólico para que continue funcionando na comunidade, já que tem sido uma ajuda muito importante". Ainda assim, persistem "dificuldades de materiais e livros didáticos", afirma José de Pina.

Na região onde a ABEMA atua na Guiné-Bissau há muitas pessoas a viver em condições de pobreza extrema. Jonatas José de Pina diz que esta é uma das grandes causas do abandono escolar, além dos casamentos precoces.

No final de maio, um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento alertava que, depois da suspensão das aulas por causa da pandemia da Covid-19, algumas crianças poderão não regressar à escola, "e as meninas estão desproporcionalmente em risco de desistir."

"Muitas famílias veem a sua atividade económica interrompida e as mais vulneráveis recorrem ao trabalho infantil ou casam as filhas para lidar melhor com a crise", aponta o relatório. A ONU aconselha as autoridades guineenses a investir no sistema educativo e a criar oportunidades para os jovens, dando-lhes "voz e meios financeiros para serem protagonistas do seu próprio sucesso económico".

Jonatas José de Pina apela também a uma aposta nas crianças e nos jovens, colocando-lhes nas mãos as ferramentas para que possam esculpir um futuro melhor: "Na região onde a ABEMA está atuando, não tem nem saneamento básico para fornecer água potável. E nós, como ABEMA, abraçamos esta causa para, pelo menos, minimizar este estrago dramático que está destruindo o futuro do nosso país."

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