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Saúde em greve em Moçambique: "Vamos fechar a 100%"

26 de abril de 2024

Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique afirma que a greve em 29 de abril é inadiável.

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Profissionais de saúde em Moçambique voltam a fazer greve
Profissionais de saúde em Moçambique voltam a fazer greveFoto: Bernardo Jequete/DW

Os profissionais de saúde moçambicanos vão iniciar uma nova greve na próxima segunda-feira, dia 29 de abril. Esta paralisação no setor tem como objetivo exigir melhores condições de trabalho e denunciar a falta de material médico e de medicamentos nas unidades de saúde.

"A greve é inadiável", afirma em entrevista à DW África o presidente da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM). Anselmo Muchave sublinha que, desta vez, os profissionais de saúde não vão ceder a novas propostas do Governo para suspender a paralisação, que será realizada por 30 dias prorrogáveis. Ou seja, agora vão "dialogar em greve".

A greve estava inicialmente marcada para 28 de março, mas foi suspensa um dia antes, após diálogo com o Executivo moçambicano, que chegou a satisfazer algumas das reivindicações da associação. "Infelizmente", diz Anselmo Muchave, as condições nas unidades sanitárias "estão piores do que no início do diálogo".

DW África: Decidiram retomar a greve face à atual situação nas unidades de saúde?

Anselmo Muchave (AM): Demos maior espaço ao Governo para que pudéssemos expor de forma muito pacífica as nossas reivindicações. Nós, enquanto profissionais de saúde, trabalhamos sem as condições mínimas, inclusive sem material de trabalho. Há profissionais de saúde que estão há 15 anos sem receber  uniforme. Há pessoas que vão às unidades sanitárias e saem sem medicamentos. As camas das unidades sanitárias estão em péssimo estado. Parece que desde que iniciámos as nossas reivindicações, a situação tende a piorar.

Anselmo Muchave, presidente da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique
Anselmo Muchave, presidente da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de MoçambiqueFoto: Romeu da Silva /DW

DW África: Ou seja, os hospitais estão agora numa situação pior do que quando a Associação iniciou o diálogo com o Governo?

AM: Claramente. Isso prova-nos que há falta de interesse em resolver as preocupações do povo. São eles que mais sofrem. A população não tem dinheiro, faltam medicamentos e a doença não espera, levando até pessoas a morrer. Não há reagentes, nem um simples hemograma disponível. Falta gesso nas unidades sanitárias. Como podemos resolver um problema que o Governo adia desde dezembro do ano passado? Suspendemos a greve anterior para mostrar ao mundo que não queremos isto, mas não podemos ignorar o sofrimento do povo.

DW África: No ano passado estiveram em greve entre agosto e novembro. Estão dispostos a endurecer a greve este ano?

AM: Este ano será mais duro. No ano passado, não fechámos unidades sanitárias, mas este ano vamos fazê-lo. Nem a população terá acesso a estas unidades, até porque nem há condições para os atender. Vamos fechar estas unidades a 100%.

Faltam médicos e medicamentos nos hospitais da Beira

DW África: Mas não será um duro golpe para a população?

AM: A população tem medo do Governo, porque, como é sabido, quem fala neste país contra o Governo está sujeito a morrer. Mas nós não temos medo. Vamos lutar pelos anseios da população.

DW África: Portanto, mesmo que o Governo diga que quer voltar a dialogar com a Associação, a greve avança na próxima segunda-feira?

AM: Nós vamos dialogar em greve. A greve é inadiável.